O Centro Educacional Gisno chegou aos 55 anos reposicionando o aniversário como um ponto de partida para novas discussões, e não apenas como uma celebração simbólica. Na Asa Norte, a programação foi estruturada para provocar reflexões sobre o papel da escola pública hoje, envolvendo estudantes, educadores e antigos integrantes da comunidade escolar.
Diferentemente de eventos tradicionais, as atividades priorizaram o intercâmbio de experiências e a circulação de ideias. Parte dessa proposta se concretizou fora da unidade, com uma audiência pública realizada na Câmara Legislativa do Distrito Federal, inserindo o Gisno em um debate mais amplo sobre educação no DF.
Dentro da escola, os encontros assumiram formatos diversos. Em vez de uma linha cronológica da história institucional, a programação apostou em conexões entre gerações. Ex-alunos, professores e servidores voltaram ao espaço escolar não apenas para relembrar o passado, mas também para discutir as transformações vividas ao longo dos anos e os caminhos possíveis para o futuro.
As atividades culturais também seguiram essa lógica, especialmente com a participação da Educação de Jovens e Adultos, que trouxe ao centro das comemorações produções e vivências que nem sempre ganham visibilidade em eventos desse tipo.
Para o vice-diretor Pedro Lopes, a força da escola está justamente nessa dinâmica de trocas. “O Gisno funciona como um espaço onde opiniões diferentes convivem. É nesse confronto de ideias, com respeito, que a gente constrói aprendizado e mantém a escola viva”, afirmou.
Na percepção dos estudantes, esse ambiente tem se traduzido em maior abertura para participação. A estudante Ana Clara Soares, de 16 anos, destacou que o diálogo com a gestão se tornou mais acessível. “Hoje a gente consegue chegar, conversar e ser ouvido com mais facilidade. Isso muda a forma como os alunos se envolvem com a escola”, relatou.
Simultaneamente às discussões, a unidade passa por um processo de requalificação física. As intervenções incluem melhorias em pisos e laboratórios, além do avanço na licitação para a construção de quadras cobertas, que devem ampliar as atividades oferecidas.
A escola também investe em propostas pedagógicas voltadas à sustentabilidade, como a implantação de uma área de agrofloresta integrada ao ensino, aproveitando um espaço de conservação já existente.
Ao completar 55 anos, o Gisno reforça uma identidade baseada na participação e na adaptação. Mais do que revisitar sua história, a instituição utiliza o momento para se reposicionar diante das demandas atuais da educação pública.
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