Mais do que ensinar leis, formar advogados preparados para a realidade social virou prioridade no Distrito Federal. Foi com esse foco que a Secretaria de Justiça e Cidadania do Distrito Federal encerrou o primeiro ciclo do Programa de Mentoria para a Advocacia Dativa, uma iniciativa voltada a jovens profissionais e estudantes de Direito que desejam atuar diretamente no atendimento jurídico à população de baixa renda.
Ao longo de quatro meses, mais de 500 participantes passaram por uma imersão prática que buscou romper com o modelo exclusivamente teórico das faculdades. A proposta foi apresentar, na prática, como funciona a rotina de quem atua na linha de frente do sistema de Justiça, lidando com processos reais, demandas urgentes e cidadãos em situação de vulnerabilidade.
O programa integra o projeto Justiça Mais Perto do Cidadão e tem como missão preparar advogados para o exercício da advocacia dativa — modalidade essencial nos casos em que a Defensoria Pública não consegue atender. Com encontros presenciais quinzenais, os alunos tiveram contato direto com temas como organização do trabalho jurídico, condução de processos, ética profissional e formas de atendimento mais humanizadas.
A formação reuniu especialistas das áreas cível e criminal, além de professores reconhecidos pela atuação acadêmica e social. O encerramento ocorreu em dezembro, com uma aula especial que consolidou os conteúdos e reforçou a importância do compromisso público da advocacia.
Para quem participou, o curso representou um salto profissional. “A gente aprende muito na faculdade, mas quase nada sobre como agir na prática. Aqui, vimos como atender, como falar com o cliente, como conduzir um caso. Isso muda tudo”, afirmou a recém-formada Mariana Fontelli, moradora do Gama.
A mentoria também ampliou a visão social dos futuros advogados. “Entender o papel do advogado em situações de violência doméstica e vulnerabilidade social foi transformador. Saio com outra consciência sobre o impacto do meu trabalho”, relatou Jennifer Stephanie de Carvalho, do Recanto das Emas.
Do ponto de vista dos docentes, o programa ajuda a reduzir a distância entre a formação acadêmica e a realidade dos fóruns. “O aluno chega ao mercado mais preparado e mais responsável. Isso melhora a qualidade do serviço jurídico oferecido à população”, avaliou o professor Vinicius Fonseca.
Ao comentar os resultados do primeiro ciclo, a secretária de Justiça e Cidadania, Marcela Passamani, ressaltou que a iniciativa fortalece toda a rede de acesso à Justiça. “Cada profissional capacitado representa mais pessoas atendidas com qualidade. Investir nessa formação é investir na cidadania”, afirmou.
Com a certificação dos participantes, o Distrito Federal passa a contar com um contingente maior de advogados aptos a atuar em demandas sociais e jurídicas sensíveis. O projeto contou com apoio do Centro Universitário de Brasília (Ceub), do Instituto Brasileiro de Direito de Família — Seção DF (IBDFAM/DF) e da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abracrim).
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