Com o Carnaval batendo à porta, o Distrito Federal já entrou oficialmente no ritmo da folia. O último fim de semana foi marcado por uma série de blocos de pré-Carnaval que ocuparam ruas e praças, antecipando o clima da festa e mostrando a diversidade cultural que caracteriza o Carnaval brasiliense.
Entre os eventos que mais mobilizaram o público esteve o Suvaco da Asa, que celebrou duas décadas de trajetória reunindo milhares de foliões no centro da capital. Reconhecido por incorporar referências do Carnaval pernambucano, o bloco levou ao público uma mistura de frevo, ciranda, samba e mangue beat, transformando a apresentação em um verdadeiro mosaico sonoro da cultura popular brasileira.
A DJ La Ursa, pernambucana radicada em Brasília há 12 anos, destacou a pluralidade do público como um diferencial da folia no DF. Para ela, tocar na capital é dialogar com diferentes regiões do país ao mesmo tempo. “Brasília é esse encontro de histórias e sotaques. Trazer minhas raízes e celebrar essa diversidade faz parte do que eu acredito como artista”, afirmou.
O ponto alto do fim de semana ocorreu no sábado (7), no Eixo Cultural Ibero-Americano, quando o Suvaco da Asa recebeu simbolicamente a chave do Carnaval de Brasília, entregue pela Corte Real do samba. O gesto marcou a abertura oficial da festa na cidade. Segundo o presidente do bloco, Pablo Feitosa, a homenagem reconhece um trabalho construído ao longo de anos. “É o resultado de uma trajetória feita com persistência e compromisso com a cultura popular. Ser escolhido para abrir o Carnaval da cidade é motivo de orgulho”, declarou.
A programação musical reforçou o diálogo entre tradição e contemporaneidade, com apresentações de Chico Science e Nação Zumbi Cover, Orquestra Marefreboi, Dhi Ribeiro e DJ Lane D’Olinda. Para o professor e folião Arte Alex Oliveira, que acompanha o bloco desde os primeiros anos, o crescimento do Carnaval de Brasília é fruto da dedicação coletiva. “Sempre foi feito por quem acredita, por quem insiste. É isso que mantém a festa viva”, comentou.
A relevância cultural do pré-Carnaval foi ressaltada pelo secretário de Cultura e Economia Criativa do DF, Claudio Abrantes. Segundo ele, os blocos desempenham papel fundamental na ocupação dos espaços públicos e no fortalecimento da identidade local. “Essas manifestações unem memória, pertencimento e geração de renda. O Carnaval reafirma Brasília como um espaço de encontro entre culturas e expressões populares”, destacou.
Além dos grandes blocos, o fim de semana também foi marcado pela valorização da marchinha carnavalesca. O Marchinha 60+ levou música e irreverência ao Setor Bancário Sul, reunindo foliões e compositores em torno de um repertório que atravessa gerações.
A cantora Andreia Lira, que participou da apresentação, destacou a importância do espaço para a cultura local. “A marchinha é parte da nossa história e precisa continuar sendo cantada e renovada”, afirmou.
Já o organizador Marcelo Silva explicou que a proposta dialoga com a tradição do Carnaval brasiliense. “A cidade tem uma relação antiga com a marchinha, e trazer isso para outros públicos fortalece ainda mais a festa”, disse.
O pré-Carnaval contou ainda com apresentações do Bloco Tá Chic, Tá Bacana, no Riacho Fundo II; Desodorante do Suvaco, no Cruzeiro Velho; Bloco Galo Cego, no Setor Bancário Sul; e Bloco do Pretinho, no Varjão, reforçando que a folia já está espalhada por diferentes regiões do DF.
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