O crescimento das autuações por falta de cinto de segurança no Distrito Federal não revela apenas o descumprimento de uma regra básica de trânsito, evidencia a permanência de uma cultura de risco que transforma um dispositivo essencial de proteção em item opcional para muitos ocupantes de veículos.
Dados do Departamento de Trânsito do DF (Detran-DF) mostram que as multas por esse motivo passaram de 72.011 em 2024 para 85.149 em 2025 — um aumento de 18,2% em apenas um ano.
Para o diretor de Policiamento e Fiscalização de Trânsito, Danilo Lino, o avanço está associado ao redirecionamento das ações do órgão, que passou a intensificar abordagens em situações onde a negligência ainda é recorrente. “Temos mapeado pontos e comportamentos em que o uso do cinto ainda é ignorado, sobretudo entre passageiros que ocupam o banco traseiro”, afirmou.
Mais do que uma formalidade, o uso do equipamento é exigência legal. O Código de Trânsito Brasileiro classifica a ausência do cinto como infração grave, com penalidade de multa de R$ 195,23, cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação e retenção do veículo até que todos estejam devidamente protegidos.
“Não se trata apenas de registrar a infração. O veículo só é liberado após a regularização da situação”, explicou Lino.
Mesmo com a norma consolidada, ainda há quem encare o uso do cinto como decisão individual , e não como medida indispensável de proteção. O corretor de imóveis Sidney Saldanha, de 56 anos, tem entendimento distinto. “Para mim, faz parte do próprio ato de dirigir. O cinto ajuda a manter o corpo firme e reduz a exposição em qualquer colisão”, disse.
Diante do cenário, o Detran-DF afirma que manterá atuação simultânea na fiscalização e na conscientização. “O cinto é um recurso simples, mas decisivo para a preservação da vida. Por isso, seguimos insistindo na necessidade de que todos os ocupantes façam uso dele”, destacou o diretor.
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