Quando desastres acontecem, o trabalho que aparece é o de resgate. O que quase nunca se vê é a rede que entra em ação antes, durante e depois das tragédias. Foi justamente esse “lado invisível” que ganhou protagonismo na entrega da Medalha da Defesa Civil do Distrito Federal, nesta quarta-feira (26), ao reunir mais de 300 homenageados entre civis e militares.
A cerimônia, realizada no Teatro Pedro Calmon, fugiu do protocolo tradicional ao destacar não apenas cargos, mas histórias ligadas diretamente à atuação em situações de emergência, de enchentes a operações de acolhimento de famílias que perderam tudo.
Coube ao subsecretário da Defesa Civil, coronel Sandro Gomes Santos da Silva, dar o tom do evento. Em vez de uma fala técnica, ele optou por um discurso voltado ao significado do serviço público em cenários extremos. Segundo ele, a Defesa Civil atua no momento em que a estrutura cotidiana deixa de funcionar, e é aí que a resposta precisa ser imediata.
Na prática, isso envolve desde a retirada de moradores de áreas de risco até a montagem de abrigos e a distribuição de alimentos. Mas, como destacou o subsecretário, há um elemento que não aparece em relatórios: o contato direto com famílias em situação de perda total.
“A gente lida com pessoas que perderam a referência de casa, de rotina, de segurança. A resposta precisa ser rápida, mas também precisa ser humana”, resumiu.
A lista de homenageados refletiu esse cenário. Profissionais da segurança pública, da saúde, da justiça, gestores, líderes comunitários, empresários, jornalistas e voluntários dividiram o mesmo espaço, reforçando que a atuação da Defesa Civil depende de articulação constante entre diferentes áreas.
Entre os reconhecimentos, um caso específico sintetizou o alcance dessas ações para além do Distrito Federal. O jornalista Toni Duarte foi agraciado pela mobilização que liderou à frente do Rotary Club de Brasília, entre 2023 e 2025. A iniciativa organizou o envio de suprimentos para vítimas da tragédia climática no Rio Grande do Sul, em uma operação que conectou doações locais a uma demanda emergencial em outro estado.
A homenagem reforçou um ponto recorrente ao longo da cerimônia: em cenários de crise, a resposta não se limita ao poder público, ela se amplia com ações da sociedade civil que conseguem ganhar escala.
O evento também teve forte sinalização política. O governador Ibaneis Rocha foi citado como responsável por fortalecer a estrutura da Defesa Civil, especialmente na ampliação da capacidade de resposta a eventos climáticos. O reconhecimento foi estendido à vice-governadora Celina Leão, ao secretário de Segurança Pública Sandro Avelar e ao deputado Roosevelt Vilela, apontados como parte da base institucional que sustenta as ações do setor.
Criada em 2000, a Medalha da Defesa Civil do Distrito Federal é concedida a pessoas e instituições que se destacam na proteção da população. Mas, na prática, o que a cerimônia desta quarta-feira deixou evidente é que a honraria funciona como um recorte de quem está, de fato, na linha de frente, seja prevenindo riscos, organizando respostas ou atuando diretamente no apoio a vítimas.
Longe de ser apenas simbólico, o evento expôs uma engrenagem que só ganha visibilidade quando falha, ou quando, como neste caso, é reconhecida. E reforçou uma ideia central: diante de desastres, a diferença não está apenas na estrutura disponível, mas na capacidade de resposta de quem decide agir.
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