A Justiça do Distrito Federal determinou que a Confederação Brasileira de Desportos para Deficientes Intelectuais (CBDI) inscreva a nadadora brasiliense Priscila Pontual Lobato da Cruz, de 15 anos, no Mundial de Natação para Pessoas com Síndrome de Down. A competição será disputada em Portugal entre 30 de outubro e 7 de novembro deste ano.
Líder do ranking nacional em quatro provas, a adolescente corria o risco de ficar fora do torneio porque o Mundial não foi incluído no calendário da CBDI. A entidade alegou dificuldades financeiras para custear a participação da delegação brasileira na competição.
Diante da situação, a família de Priscila decidiu assumir integralmente as despesas da viagem. A iniciativa, porém, não era suficiente para garantir a presença da atleta no campeonato, uma vez que as inscrições precisam ser realizadas pela confederação responsável pela modalidade em cada país.
Sem conseguir resolver o impasse diretamente com a CBDI e diante da proximidade do fim do prazo para as inscrições, o pai e representante legal da adolescente, Rodrigo Pontual da Cruz, decidiu recorrer à Justiça.
A decisão foi proferida na última sexta-feira (10) pela juíza substituta Ana Beatriz Brusco. A magistrada estabeleceu prazo de 24 horas para que a confederação inscreva a nadadora. Em caso de descumprimento, a entidade poderá ser multada em R$ 1 mil por dia.
Ao justificar a medida, a juíza afirmou que a conduta da CBDI “vai contra as próprias responsabilidades institucionais da entidade”, que tem entre suas atribuições incentivar e desenvolver o esporte para pessoas com deficiência intelectual.
O prazo para garantir a participação no Mundial termina em 15 de julho.
Segundo Rodrigo, foram feitas diversas tentativas de contato com a CBDI antes de o caso chegar aos tribunais. O pai afirma que a entidade demorou a responder e, posteriormente, informou apenas por WhatsApp que “o caso estava sob análise da equipe jurídica”.
Com receio de que a filha perdesse a oportunidade de disputar a competição, Rodrigo decidiu antecipar parte dos custos para tentar assegurar a vaga. “Paguei metade do valor no dia 20 para assegurar a vaga da minha filha na competição”, contou.
Para o pai da nadadora, o Mundial tem importância especial para os competidores com síndrome de Down, uma vez que a categoria não possui classe exclusiva nos Jogos Paralímpicos. “Impedir esses atletas de participar do Mundial seria semelhante a excluir as Paralimpíadas do calendário esportivo. Não permitir que uma atleta com chances concretas de conquistar uma medalha, inclusive de ouro para o Brasil, dispute a competição sem qualquer custo para a entidade é uma situação inaceitável”, afirmou Rodrigo.
Priscila chega ao cenário internacional respaldada pelos resultados obtidos nas piscinas. A brasiliense é campeã brasileira nas provas de 50, 100 e 200 metros livre, além dos 50 metros borboleta.
Nesta última prova, a adolescente registra o tempo de 59 segundos e 92 centésimos. A marca é mais de 12 segundos inferior à obtida pela medalhista de ouro da categoria júnior no Mundial de 2024, que completou a distância em 1 minuto, 12 segundos e 44 centésimos.
A jovem representa o Projeto Naurú e treina no Centro Olímpico da Universidade de Brasília (UnB).
Procurada, a CBDI informou que ainda não definiu os atletas que representarão o Brasil no Mundial. Segundo a confederação, um projeto para financiar a participação na competição foi encaminhado ao Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e permanece em análise. “Enfrentamos dificuldades financeiras há anos, mas nunca deixamos de participar dos mundiais destinados a atletas com síndrome de Down. A CBDI tem mantido o compromisso de convocar os competidores e esperamos cumprir novamente essa missão”, declarou a entidade.
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