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Com milhões no patrimônio, empresários miram o comando do DF

Grandes fortunas voltam a ocupar espaço no tabuleiro eleitoral da capital da República

Publicada em 14/08/2026 às 11:00h -


Com milhões no patrimônio, empresários miram o comando do DF



A disputa pelo Palácio do Buriti tem uma particularidade que atravessa diferentes eleições no Distrito Federal. Entre políticos de carreira e nomes ligados a movimentos partidários, aparecem empresários, advogados e outros profissionais que decidiram entrar na vida pública depois de acumular fortunas de dezenas ou até centenas de milhões de reais.

Paulo Octávio e Ibaneis Rocha são dois dos principais exemplos dessa trajetória. Empresário conhecido no setor da construção civil, Paulo Octávio já declarou à Justiça Eleitoral patrimônio superior a R$ 618 milhões. Ibaneis, por sua vez, construiu uma carreira de destaque na advocacia antes de chegar às urnas e declarou mais de R$ 90 milhões em bens quando disputou o Governo do Distrito Federal pela primeira vez.

Em comum, os dois chegaram à política sem depender dela para construir patrimônio. É justamente esse perfil que chama a atenção em uma corrida eleitoral marcada por custos elevados, exposição pública, negociações partidárias e desgaste pessoal.

Para candidatos que já alcançaram o topo financeiro, assumir o comando do Distrito Federal representa a possibilidade de conquistar um tipo diferente de espaço. O governador administra uma das maiores máquinas públicas locais do país e participa diretamente de decisões sobre transporte, habitação, obras, desenvolvimento econômico, ocupação territorial e regularização fundiária.

Brasília acrescenta outro componente a essa equação. Governar a capital da República significa estar no centro do poder nacional, com interlocução permanente com o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal (STF) e as demais instituições instaladas na cidade. O Buriti, portanto, oferece uma projeção política que ultrapassa as fronteiras do DF.

A trajetória empresarial também costuma ser levada para o palanque. Candidatos oriundos da iniciativa privada apostam na experiência administrativa como cartão de visitas e tentam convencer o eleitor de que os resultados obtidos nos negócios podem ser reproduzidos na gestão pública.

O patrimônio elevado ainda pode oferecer maior autonomia na construção de uma candidatura. Apesar dos limites impostos pela legislação ao uso de recursos próprios, quem dispõe de uma fortuna pessoal tende a ter mais condições de organizar a estrutura inicial da campanha sem depender exclusivamente das decisões financeiras do partido.

Essa condição, no entanto, não elimina obstáculos. Pelo contrário. Quanto maior a presença do candidato no mundo empresarial, maior pode ser a cobrança sobre possíveis conflitos entre interesses particulares e decisões tomadas pelo governo. No Distrito Federal, esse debate ganha peso especialmente em áreas como construção civil, mercado imobiliário, uso do solo e destinação de terras públicas.

Há também o desafio de transformar o sucesso profissional em identificação com o eleitor. O DF reúne algumas das maiores rendas do país, mas também convive com profundas diferenças sociais entre suas regiões administrativas. Quem chega à política cercado por cifras milionárias precisa mostrar capacidade de compreender problemas que passam pela falta de ônibus, pela demora no atendimento de saúde, pelo déficit habitacional e pela dificuldade de acesso a serviços públicos.

Os resultados das urnas mostram que o dinheiro, sozinho, não resolve essa equação. O patrimônio pode facilitar a largada, garantir estrutura e ampliar a autonomia de uma candidatura, mas não substitui apoio partidário, presença nas cidades, articulação política e capacidade de conquistar o eleitor.

Ainda assim, a entrada recorrente de grandes fortunas na corrida pelo GDF ajuda a revelar uma característica da política brasiliense. Para empresários e profissionais que já conquistaram independência financeira, o próximo degrau pode deixar de ser econômico e passar a ser político.

No fim, os milhões podem ajudar a abrir as portas de uma campanha. A chave do Buriti, porém, continua nas mãos do eleitor.




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